Pular para o conteúdo principal

As Origens criativas de Thundarr, the barbarian

Thundarr, the Barbarian (no Brasil: Thundarr, o bárbaro ou Os Bárbaros) foi uma série animada  produzida pela Ruby-Spears Productions, entre 1980 e 1982. 



A série foi criada por Joe Ruby e Ken Spears para aproveitar o sucesso de Conan, o bárbaro (cujo filme estava em produção e só seria lançado em 1982). A dupla convidou o roteirista Steve Gerber para criar a "Bíblia da série (em inglês, story bible, show bible, series bible, documento que serve de referência na produção)". A série teve os model sheets criados por Alex Toth (heróis), Jerry Eisenberg e Jack Kirby (vilões e personagens secundários) - ambos, assim como Gerber, trabalharam com quadrinhos e animações. A série contava as aventuras de Thundarr, o Bárbaro -, Thundarr vivia num futuro pós-apocalíptico/fantasia científica e era auxiliado pela Princesa Ariel (uma princesa que libertou Thundarr de seu padrasto, o feiticeiro Sabian) e Ookla, um Mok (uma espécie de felino antropomorfizado).



Influência de trabalhos anteriores de Alex Toth:  

Toth trabalhou para a Hanna-Barbera como character designer, entre as década de 1960 e 1970. Thundarr e Ariel guardam semelhanças físicas com Zandor e Tara de Herculóides (embora Ariel tenha a pele morena e Tara seja causaiana) - por essa similaridade estílica, ainda há quem que ache a série foi criada pela Hanna-Barbera. O estúdio Ruby Spears foi criado em 1977 por Joe Ruby e Ken Spears, ex-funcionários da Hanna-Barbera. Foram os criadores de Scooby Doo - a dupla também criou Bicudo, o Lobisomem (Fangface no original). Curiosamente, em 1981, a Ruby Spears foi comprada pela Taft Broadcasting, que já era dona da Hanna-Barbera desde de 1967. Em 1991, ambas as produtoras foram compradas pela Turner - alguns lançamentos em DVD da Ruby Spears trazem a errônea informação que são "séries originais da Hanna-Barbera".
                                 



Zartan ou Zandor de Herculoids



Influência de trabalhos anteriores de Jack Kirby


Em 1972, o editor Carmine Infantino pediu que Jack Kirby criasse algo semelhante a franquia Planeta dos Macacos. Kirby então pegou duas ideias elaboradas nos anos 50: um projeto de uma tira de jornal de um garoto das cavernas chamado Kamandi, e de uma HQ que produziu para a Harvey Comics (The Last Enemy! publicada na revista Alarming Tales #1, de Setembro de 1957). A história mostrava um futuro onde animais evoluídos dominavam a terra - com isso surgiu Kamandi: The Last Boy on Earth, contando sobre um adolescente com aparência de homem das cavernas e que vive num futuro pós-apocalítico disputado por animais evoluídos. Nota-se também a influência de Darkseid, vilão criado nas histórias de Jimmy Olsen, no vilão Gemini, criado por Gerber para a série animada. A participação de Jack Kirby na produção de Thundarr e as semelhanças com Kamandi, criaram a falsa impressão de que Kirby fosse co-criador da série, ele apenas assumiu os model sheets dos vilões após a saída de Toth. 


Curiosamente, ainda década de 1980, Kirby chegou a ser convidado para criar os concepts de uma nova série animada baseada em Planeta dos Macacos, porém, o projeto foi engavetado. A primeira série foi produzida em 1974 pela Depatie-Freeleng, e teve os concepts de Doug Wildey, criador de Jonny Quest, e primeiro trabalho de Alex Toth para a Hanna-Barbera, Kirby e Wildey trabalharam como consultores criativos de Chuck Norris: Karate Kommandos (1986). Kirby chegou a esboçar uma tira dominical de Thundarr, contudo, tal projeto foi cancelado.



Kamandi também chegou a ter uma versão animada, na série Batman: The Brave and the Bold de 2008.


Gemini por Jack Kirby


Influências de  trabalhos anteriores de Steve Gerber

Em 1973, Gerber criou para a Marvel, um bárbaro de outra dimensão chamado Korrek. Assim como Thundarr, Korrek foi inspirado em Consn, e possuía uma espada brilhante. A terminação "rr" já havia sido utilizada em outro personagem de Gerber para a Marvel: Wundarr, o Aquariano, também criado em 1973. 






Outro personagem pós-apolítico que pode ter influenciado Gerber na criação de Thundarr, Killraven foi criado por Roy Thomas, Neal Adams e Gerry Conway em 1973,  Jonathan Raven  era um gladiador em um futuro onde os humanos foram escravizados pelos marcianos de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells. Em Defenders # 26 (Agosto de 1975), Gerber estabeleceu que as aventuras de Killraven aconteciam na época que os Guardiões da Galáxia originais, o século XXXI.



Curiosamente, uma história de Killraven foi transformada em uma história de Planeta dos Macacos pela Marvel do Reino Unido.







Influências de Star Wars

A espada Sunsword usada por Thundarr, se assemelha a um sabre de luz visto em Star Wars (que diferente da espada de Korrek, é uma criação tecnológica). O mok Ookla é inspirado em Chewbacca e, assim como o representante da espécie "Wookie", não fala, apenas reproduz grunhidos. Outra característica presente em Star Wars (e nos quadrinhos da Marvel e DC) é a presença de magia e tecnologia.




Os nomes dos personagens: o nome de Thundarr se assemelha a um dos nomes de Thor, o deus do trovão da mitologia nórdica, thunar e thuner são algumas dessas variantes, que inclusive deram origem ao nome "thunder" (trovão em inglês). Ariel é um nome hebraico, que significa "leão de deus". Entre os hebreus é um nome masculino, mas em países anglófonos é um nome feminino, OOkla foi sugestão do também roteirista Martin Pasko: ao passarem pelo campus da UCLA (sigla da Universidade da Califórnia em Los Angeles), Martin então lhe disse: ""Why not call him Oo-clah?" (Por que não chamá-lo de Oo-clah?)



Na terceira temporada da série animada da atual série animada das Tartarugas Ninjas produzida pela Nickelodeon, Thundarr é parodiado no fictício desenho animado Crognard the Barbarian, Crognard tem elementos de Thundarr e He-man, embora a série Tartarugas Ninjas seja em CGI, os desenhos assistidos pelo grupo são em 2D, há também Space Heroes, uma paródia a animação de Star Trek produzido pela Filmation e Super Robo Mecha Force Five!, uma paródia a animes de mechas (robôs gigantes).








Fontes e referências
Fansite

Lords Of Light – The Thundarr The Barbarian Story
Lenda Urbana: Kamandi era uma adaptação do Planeta dos Macacos


MORE Alarming 1950's Kirby Sci-Fi Comics: The Last Enemy


Under the Broken Moon RPG - RPG inspirado em Thundarr 


The World of Thundarr The Barbarian Sourcebook -- Final Version Released - outro RPG inspirado na série Thundarr the barbarian Wikia

Cartoon Action Hour, outro RPG inspirado em desenhos animados

Steve Gerber no IMDB


Ariel (given name)


Oldies But Goodies: Black Panther #9 (Mai 1978)


All Quacked Up: Steve Gerber, Marvel Comics, and Howard the Duck


Lenda Urbana: Jack Kirby cocriou Thundarr o Bárbaro?


Behind The Planet Of The Apes


Wookiee


Entrevista de Joe Ruby e Ken Spears


Taft Broadcasting

Thor

Kamandi


Jack Kirby na Planet of the Apes Wikia


Defenders Vol 1 26

Killraven

O que Killraven tem a ver com Planeta dos Macacos? E com Guardians of the Galaxy? E com Marvel 2099?

A série War of the Worlds/Killraven


Saia da Masmorra, Mutantes, Espadas de Sol, Cyborgs Feiticeiros e muito mais...

Thundarr the Barbarian Toonopedia
Lightsabers
Thundarr The Barbarian - TvtTopes

Where's My Goddamn Thundarr the Barbarian comic?

Entre Balões: Para entender DARKSEID e OS NOVOS DEUSES! Como a saga de Jack Kirby mudou os Quadrinhos


Terra Arruinada - Podcast Terceira Terra


We Will Use Lasers in the Future - TvtTopes

Laser Blade - TvTropes

On Strips: Thundarr Comic Strip

Comentários

  1. Oi, Quiof,
    Só um adendo, parece que o Thundarr fi criado em cima do livro "Thundarr, man of two worlds".
    https://www.amazon.it/Thundar-Worlds-Stuart-J-Byrne-ebook/dp/B0026NBZ9Y/277-4519848-3350163?ie=UTF8&*Version*=1&*entries*=0
    Sendo, portanto, uma adaptação de um livro. Braços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu li sobre esse Thundar outro dia, ele só tem um erre, é possível que tenha sido uma inspiração, mas não chega a ser uma adaptação licenciada, o Thundarr do desenho está mais para um gladiador com um pouco de Mad Max, ]não conhece a civilização e vive como um bárbaro. Obrigado pelo comentário, o pessoal não costuma comentar nas postagens.

      Excluir
    2. Essa manobra de adicionar um erre já tinha sido usada pela DC, quando ela adquiriu os heróis da Charlton, veio o Besouro Azul original, Dan Garret, ele acabou virando Dan Garrett, outras editoras publicam ele em projetos de heróis em domínio público, só não usam o nome Besouro Azul, já que a marca pertence a DC.

      Excluir
    3. E sossega quanto ao pessoal nao escrever. Participo do Blogo do Saia da Masmorra e lá também raramente o pessoal rdeixa comentarios.

      Qualquer coisa me adiciona no Facebook. Estou montando uma mesa de Thundarr para jogar com a molecada, por isso que acabei caindo nessa postagem, mas ja conhecia o blog. Lerei mais.

      https://www.facebook.com/profile.php?id=100009339576727
      Braços

      Excluir
  2. O maravilhoso mundo dos direitos autorais n~çao respeitados, hehehe
    Valeu. Abraços!

    ResponderExcluir
  3. Muito legal a postagem. Comprei o DVD gringo e realmente foi lançado como sendo da "Hanna Barbera Classic Colection", mas observei também que no final de cada episódio aparece o logo da Hanna Barbera, será que colocaram depois?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, colocaram depois, possivelmente quando a Turner comprou as empresas, lembro que passava num bloco chamado Cartoon Mania na CNT em meados dos anos 90, que era uma prévia do Cartoon Network.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Muttley e Rabugento

Muttley e Rabugento (Mumbly no original) são bem parecidos, nesse texto pretendo explicar as origens criativas contar um pouco da história desses personagens ao longo dos anos.

Mangás brasileiros ao longo das décadas

Esse texto é uma atualização do texto publicado no site Kotatsu Wikia, onde fui convidado a colaborar em um texto pré-existente.


Histórias em Quadrinhos em domínio público nos Estados Unidos

Quando se diz que uma obra está em domínio público, significa que seus direitos expiraram e que pode ser usada livremente. Contudo, definir o domínio público não é uma tarefa fácil.