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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Literatura Policial e as histórias em quadrinhos






Conforme comentei em outras ocasiões, a literatura tem ao longo dos anos, servido como fonte de inspiração para histórias em quadrinhos, nesse texto, irei citar alguns exemplos inspirados na literatura policial.


 A primeira tira de detetives foi Dick Tracy de Chester Gould, lançada em 1931, logo surgiria concorrentes como Dan Dunn de Norman Marsh, criado em 1933 para a revista em quadrinhos Detective Dan, Secret Operative nº. 48 da Humor Publications, que durou apenas uma edição e acabou migrando para as tiras de jornal e Agente Secreto X-9 criado pelo romancista Dashiell Hammett e Alex Raymond em 1934. Em 1942, após discutir com o Publishers Syndicate e ir para a Marinha, Marsh foi substituído por Allen Saunders (roteiro) e Paul Pinson (desenhos), logo em seguida, Pinson foi substitído por Alfred Andriola (que antes havia desenhado a tira de Charlie Chan de Earl Derr Biggers), no ano seguinte a série é cancelada e substituída por outra protagonizada por um detetive, Kerry Drake, apenas Andriola foi creditado na tira, o verdadeiro roteirista só seria revelado após a morte de Andriola e o cancelamento da tira em 1983.


Em 1946, após servir na II Guerra, Raymond lança a tira Rip Kirby (Nick Holmes no Brasil).





Em 1890, o escritor britânico E. W. Hornung, cunhado de Arthur Conan Doyle, o criador do Sherlock Holmes, lança Arthur J. Raffles, ao contrário de Holmes, Raffles é um ladrão elegante, auxiliado pelo amigo Harry "Bunny" Manders, que tem um papel semelhante ao do Dr. Watson nas histórias de Doyle.






Em 1908, a editora alemã Gustav Müller & Co lança um pastiche do personagem de Hornung,  John C. Raffles é um pseudônimo usado pelo vitoriano Lord Edward Lister, que após ter a identidade descoberta, passa usar outros apelidos. Na Itália, o ladrão elegante foi usado como um adversário de Nick Carter, detetive americano  criado por  Ormond G. Smit em 1886, filho de um dos fundadores da editora de pulps, Street & Smith, onde surgiram os personagens O Sombra, O Vingador e Doc Savage, Carter chegou a ter HQs publicadas nas revistas em quadrinhos desses personagens. Na década de 1960, foi revivido como agente secreto em uma série de livros para aproveitar o sucesso de James Bond. Carter surgiu em revistas anteriores aos pulps, chamadas de dime novels, outros antecessores dos pulps são os folhetins e penny dreadfuls.




Revista de contos de Nick Carter publicada na década de 1950.


Na França, por conta dos direitos autorais do Raffles original, a alcunha usada por Lister foi mudada para John C. Sinclair.



No Brasil, o Raffles de Hornung foi publicado na revista Vida Policial, revista publicada entre 1925 e 1927, já Lord Lister foi publicado na revista Pelo Mundo no ano de 1924, o nome era grafado como "Rafles".













Surgiram outros ladrões elegantes, como os franceses Arsène Lupin, Ladrão de Casaca  (1905) do francês Maurice Leblanc, Fantômas de Marcel Allain (1911) e o britânico Simon Templar, também conhecido como O Santo (1928) de Leslie Charteris. Até mesmo, Johnston McCulley, criador do Zorro, tinha um personagem do gênero, Black Star, lançado em 1916 na revista Detective Story Magazine da  Street & Smith.





Provavelmente inspirado pelos dois personagens, o quadrinista Carlos Arthur Thiré, criou um outro Raflles, cujo verdadeiro nome era Percy Meneval, publicado nas páginas da revista Suplemento Juvenil de Adolfo Aizen, entre 1936 e 1939, Thiré era filho do matemático Cecil Thiré, nome que seria dado ao filho de Carlos com a atriz Tonia Carreiro, que também se tornou ator.








Em 1941, a Grande Consórcio Suplementos Nacionais, editora fundada por Aizen  publicou o álbum Mr. Raffles Vai A Itaipava.


Em 1942, haviam histórias (possivelmente contos) de Raffles na Policial em Revista, outra publicação de Adolfo Aizen.






Em 1943, na revista All-Winners #8 da Timely (uma das precursoras da Marvel Comics), um AJ Raffles reformulado ajuda o herói Ciclone (Whizzer no original) a capturar ladrões, a arte da história é atribuída a George Klein, porém, o roteirista não foi identificado.

Raffles EBAL



Em 1987, a EBAL, uma outra editora fundada por Aizen,  publica o álbum O Gavião do Riff / Raffles, O Gavião do Riff era o título de outra tira deThiré publicada no Suplemento Juvenil.




Uma outra série de Raffles foi publicada em O Guri Cômico do Diários Associados, dessa vez, o personagem era o Lord Lister, novamente grafado com "Rafles", desenhado por José Geraldo Barreto.

Rafles na revista O Guri Cômico #127, setembro de 1945


Em 1927, o escritor Edgar Wallace ( 1875-1932) criou o detetive Inspetor Wade para uma série de livros, em 1934, o personagem ganha uma tira de jornal por Sheldon Stark (roteiro), Lyman Anderson e Neil O'Keeffe (desenhos), distribuída pela  King Features, no Brasil estreou em 1935 nas páginas do Suplemento Juvenil.


A Garra Cinzenta


Também no Suplemento Juvenil, o carioca Renato Silva adaptou Nick Carter em 1937, no mesmo ano, Silva foi contratado para ilustrar A Garra Cizenta, para o suplemento A Gazetinha do jornal paulistano A Gazeta, A Garra Cizenta do título era um vilão com uma máscara de caveira, guardando semelhanças com Fu Manchu de Sax Rhomer (que teve uma tira diária entre 1931 e 1933, ilustrada por Leo O'Mealia para o Bell Syndicate), a história era ambientada em Nova York, a história foi encerrada após 100 capítulos semanais, encerrados em 1939, a autoria é atribuída a Francisco Armond, cuja identidade não foi descoberta, para alguns, Armond era Helena Ferraz, que ao lado do marido, Maurício Ferraz, assinava como Alvaro Armando, Helena a foi tradutora de O Fantasma publicado pelo Correio Universal, fundado pelo casal, Alvaro Armando é creditado como roteirista de uma adaptação de Aladim publicado pela Livraria Civilização em 1937 a arte ficou a cargo de Francisco Acquarone, autor de uma adaptação de O Guarani e João Tymbira, também publicados pelo Correio Universal e outros trabalhos em quadrinhos no O Globo Juvenil, contudo, é mais conhecido por ser um dos pioneiros na publicação de livros sobre história da arte no país. Nessa adaptação, a história de Aladim é ambientada na China, o conto não pertencia aos manuscritos originas das Mil e Uma Noites, sendo incluído no século XVIII.










Armond também é creditado como roteirista de "O enigma do espectro de James Hull", ilustrado por Messias de Mello e publicado em A Gazetinha entre 1939 e 1940. Renato Silva também não teve uma carreira muito extensa nos quadrinhos, ficou conhecido como um dos primeiros autores de livros de como desenhar no país. a série também foi publicada no jornal belga Le Moustique entre 1944 e 1947. a série foi republicada no Brasil em  1977 no Almanaque do Gibi Nostalgia #6 da RGE (incompleta), nos fanzines Seleções do Quadrix de Worney Almeida de Souza e no Portal Zine #57 (2006) de José de Queiroz Filho e em 2011 numa edição pela Conrad Editora editada pelo próprio Worney.



Dick Peter, personagem criado por Jeronymo Monteiro com o pseudônimo de Ronnie Wells, o personagem surgiu como um uma história policial e logo absorveu elementos de ficção científica, foi ilustrado por Messias de Mello em A Gazeta Juvenil (1948), por Abílio Corrêa no jornal Díario da Noite e por Jayme Cortez na Editora La Selva (1952). 

O Santo também teve versões em quadrinhos. Em 1948, foram lançadas as primeiras tiras de jornal que foram roteirizadas pelo próprio criador, Leslie Charteris, que tinha experiencia no formato e havia substituído Dashiell Hammet em Agente Secreto X-9, a tira criada por Hammet e Alex Raymond para concorrer com Dick Tracy. As primeiras tiras foram ilustradas por Mike Roy. Uma prancha dominical do personagem estreou no ano seguinte. Em 1951, Roy foi substituído por John Spranger, que adicionou uma barba no personagem. A tira foi publicada até 1961, sendo também desenhada por Bob Lubbers e Doug Wildey. Entre 1947 e 1952, a Avon Periodicals publicou uma revista em quadrinhos que teve 12 edições. O personagem ainda estrearia uma série de TV durante a década de 1960, mas tal série  não teve uma versão em quadrinhos. Entre 1966 e 1985, circulou na Suécia, um revista em quadrinhos pela Helgonet, inicialmente remontando as tiras de jornal e logo em seguida com material inédito, escritas por Norman Worker e Donne Avenell, Avenell também foi co-autor do romance, The Saint and the Templar Treasure, co-escrito com Graham Weaver e publicado em 1979. Em 2012, uma nova série de quadrinhos foi publicada pela editora americana Moonstone Book.


Em 1948, o radioator Àlvaro Aguiar, lança a radionovela As Aventuras do Anjo pela Rádio Nacional.  A radionovela contava as peripécias de um milionário que combatia o crime nos Estados Unidos. Em 1959, a Rio Gráfica Editora (RGE), lança uma versão em quadrinhos pelos quadrinistas Flavio Colin e Walmir Amaral.  Na versão de Colin, as histórias trocaram o cenário dos Estados Unidos para o Brasil. Nessa época, o quadrinista era bastante influenciado pelos trabalhos de Milton Caniff, criador das tiras Terry e os piratas e Steve Canyon e por Chester Gould. Em 1990, ganhou uma adaptação cinematográfica "O Escorpião Escarlate", dirigida por Ivan Cardoso e estrelada por Herson Capri (como Alvaro Aguiar e o Anjo).  O roteiro ficou a cargo de Rubens Francisco Lucchetti, Lucchetti é mais conhecido por roteirizar filmes do Zé do Caixão, criado e interpretado por José Mojica Marins.  Contudo, também é um prolífico escritor, tendo escrito diversos romances em revistas pulps e livros de bolso até roteiros de histórias em quadrinhos, é conhecido pela alcunha de "papa do pulp". Colin e Lucchetti foram colaboradores da revista pulp  X-9 da RGE, o primeiro ilustrando quadrinhos de terror e o segundo como escritor de contos, a revista também publicou histórias do Agente Secreto X-9 por Mel Graff, que deu nome ao personagem, Phil Corrigan (assim como The Continental Op, outra criação de Hammett, o detetive não possuía nome), até mesmo a agência onde ele trabalhava não tinha nome, foi revelado que era na verdade o FBI. O espião também foi publicado na revista Agente Secreto, junto com o britânico Spy 13. A editora também publicou as revistas Santo Magazine (1955-1957) e Nick Holmes (1956-1968). De acordo co, Lucchetti, inicialmente o roteiro era sobre um personagem chamado O Morcego, uma homenagem a heróis pulps como O Sombra e O Aranha, contudo, o cineasta Ivan Cardoso o convenceu a trocar O Morcego pelo Anjo, o título O Escorpião Escarlate remete a uma série de rádio criada pelo escritor na década de 1950 e é o nome do vilão do filme. Em 2015, o escritor publicou uma romantização de seu roteiro original pela Editora Laços.



Em 1962, na Itália, as irmãs  Angela e Luciana Giussani lançam Diabolik em formato de bolso (formato tascabili, em italiano) pela editora Astorina, de acordo com a lenda, as irmãs tiveram a ideia de criar o personagem ao ler um livro no formato de bolso de Fantômas.  Assim como o personagem francês, Diabolik também é um ladrão frio e calculista e não excita em matar seus oponentes (diferente de Lupin). Diabolik inaugura um gênero no quadrinho italiano, o fumetti neri, muitos dos personagens apresentam a letra K no nome tais como Kriminal e Satanik. logo também surgiria paródias, é o caso


Cattivik de Bonvi, lançado em 1970, o protagonista é basicamente um borrão de tinta, sua forma variou com o tempo, no início, parecia uma pimenta, hoje, lembra uma pera.




Cattivik 


Paperinik
 Até mesmo os quadrinhos Disney tiveram influência no anti-herói, em 1969, surge Paperinik, criado por Elisa Penna , Guido Martina e Giovan Battista Carpi.  Trata-se de uma identidade secreta criada pelo Pato Donald para se vingar do seu Tio Patinhas e de seus primo Gastão.  Na história original, Donald vai parar na casa do Fantomius (uma clara referência ao Fantômas) e acha um diário contendo detalhes das armas e apetrechos de Fantomius, com o tempo, o Paperinik ganharia uma abordagem super-heroica, inclusive em quadrinhos brasileiros, onde é conhecido como Superpato, até mesmo a Margarida ganharia o alter ego de Superpata, criada por Guido Martina e Giorgio Cavazzano.  No Brasil, uma ilustração de Giovan Battista Carpi, do primo do Donald, Peninha vestido com um roupa semelhante a do Batman deu origem ao super-herói atrapalhado Morcego Vermelho. Somado a isso, a produção brasileira ainda os usariam em um supergrupo com o  Superpateta e o Vespa Vermelha, criações do americano Paul Murry.  Inspirado no Morcego Vermelho, o Zé Carioca se torna o Morcego Verde, criado por Ivan Saindenberg e Renato Canini.  A produção italiana ocasionalmente também usa o Morcego Vermelho (uma vez que muitas histórias brasileiras foram publicadas no país europeu). A ideia de um supergrupo também foi explorado por autores italianos, embora não usem todos os personagens.




Fantomius 









Diabolik ganhou um filme franco-italiano em 1968, dirigido por Mario Bava e estrelado por John Phillip Law como Diabolik e  Marisa Mell como sua namorada, Eva Kant. No Brasil, o DVD do filme foi lançado recentemente pela BrookFilm.






Em 2000, ganhou uma inusitada versão animada, Diabolik: The Track of the Panther.  A série foi mostrava os personagens amenizados e bem mais jovens. Foi produzida pela Saban e exibida pelo canal Fox Kids inicialmente uma joint-venture entre a Disney e a Fox, logo depois rebatizado de Jetix. O canal atualmente pertente apenas a Disney e é conhecido como Disney XD.



Em 2012, foi anunciada uma série de tevê, prevista para ser lançada em 2015.






Na França e na Itália, Fantômas teve algumas séries de quadrinhos entre as décadas de 1940 e 1960.  Contudo, o personagem também inspiraria uma série totalmente diferente no México, em 1966, a Editorial Novaro lança "Fantomas La Amenaza Elegante". Criado por Guillermo Mendizábal e Rubén Lara, esse Fantômas era fortemente inspirado por James Bond ou 007, o espião britânico criado pelo também britânico Ian Fleming em 1953 como um série literária e depois adaptado para os cinemas e do próprio Diabolik.  A Novaro publicou até 1985 e em 1991 ela teve uma nova edição pela Vid, cancelada no número 194. No Brasil foi publicado pela Ebal entre 1970 e 1971.




Em 1977, a editora Vecchi brasileira lança a revista Mistérios Jacques Douglas, baseada em uma fotonovela italiana de mesmo nome, roteirizada por Hélio do Soveral (criador de Kung Fu da EBAL) e ilustrada por Francisco Sampaio, com capas pintadas por Carlos Chagas (que lembra os trabalhos de José Luiz Benício da Fonseca, de quem é amigo), a revista durou 9 edições.



Em New X-Men #128 publicada em 2002, o roteirista britânico Grant Morrison e o ilustrador croata Igor Kordey lançam Fantomex, o personagem era uma espécie de sentinela orgânico criado para caçar os mutantes, com o tempo, o personagem seria transformado em super-herói.  Morrison admite que Fantomex é inspirado tanto em Fantômas, quanto em Diabolik, graças ao filme de 1968, que fez um relativo sucesso no Reino Unido. O nome de Fantomex é  Jean-Phillipe, uma alusão ao ator que interpretou Diabolik no cinema, John Phillip Law, o nome de sua nave é E.V.A. em homenagem a namorada de Diabolik, Eva Kant.




Entre 1967 e 1969, foi publicado na revista  Weekly Manga Action, o mangá Lupin III de Kazuhiko Katō (que assina como Monkey Punch) que possui um traço inspirado nos trabalhos do espanhol Sergio Aragonés, artista conhecido pelos trabalhos na revista Mad. Como o próprio nome indica, Lupin III é o neto de Arsène Lupin (o autor também afirmou se inspirar em James Bond), contudo, Lupin não estava em domínio público e os herdeiros de Leblanc  processaram Punch.  Enquanto no Japão  foi declarado que o personagem era de uso comum, no resto do mundo, Punch teve problemas jurídicos sendo chamado de  "Rupan" (transcriação fonética de Lupin em japonês) ou "Wolf", na França, foi lançado como "Edgar, Detective Cambrioleur" e o personagem como Edgar de la Cambriole.  A questão só foi resolvida em 2012, uma vez que após 70 anos da morte do autor, os romances entraram em domínio público. Lupin III teve versões em anime, algumas delas dirigidas por Hayao Miyazaki, famoso animador japonês, conhecido mundialmente pelos longas de animação do estúdio Ghibli. Curiosamente, o próprio Leblanc usou um personagem que não lhe pertencia, em 1908, Lupin enfrentou Sherlock Holmes, contudo, logo teve que mudar o nome do detetive para Herlock Sholmès (sendo este um exemplo de Captain Ersatz). O mangá inaugurou o arquétipo do kaitō, uma variante do ladrão elegante.


No Brasil, o anime Lupin III foi lançado como Cliff Hanger e exibido em 2001 pelo canal pago Locomotion, o nome Cliff Hanger já havia sido usado em um jogo para laserdisc (um antecessor do DVD, a diferença é que os discos possuíam 30 cm de diâmetro, contra 12 de um DVD).




Alguns longas de animação foram lançados pela Focus Filmes, um selo da Flashstar Home Vídeo.  O personagem ganhou dois filmes live action, o primeiro, Lupin III Strange Psychokinetic Strategy foi lançado em 1974 e o segundo, chamado apenas de Lupin III, foi lançado em 2014.





Em 2009, foi lançado o filme animado para televisão Lupin the 3rd vs. Detective Conan. Detective Conan é um mangá de Gosho Aoyama, lançado em 1994 na revista Weekly Shōnen Sunday,  inspirado em Arsène Lupin, Sherlock Holmes e nos filmes de Akira Kurosawa. O mangá conta a história de Jimmy Kudo, um adolescente que pode ser transformar em criança, nessa forma assume a identidade do detetive Conan Edogawa, o nome é a junção do nome de dois autores de literatura policial, o britânico Arthur Conan Doyle e o japonês Edogawa Ranpo, por pouco não foi chamado de Doyle Edogawa, por sugestão de um editor, para que não houvesse confusão com Future Boy Conan. Nos Estados Unidos, por conta da marca de Conan, o Bárbaro, foi lançado como Case Closed.  No Brasil, a série de anime e o mangá continuam inédito, um filme chegou a ser lançado pela Flashstar. Uma sequência do crossover foi lançado nos cinemas japoneses em 2013, quando também foi publicado uma adaptação em mangá na Shōnen Sunday.




Em Novembro de 2012, a mangaká Chiho Saito, conhecida mundialmente pela criação de Utena, iniciou uma publicação de um mangá Arsène Lupin na revista Zoukan Flowers.





















Em 1988, a editora italiana Sergio Bonelli Editore (editora que publica o consagrado faroeste Tex) lança Nick Raider, criado por Claudio Nizzi, inspirado no ator Robert Mitchum, Raider é um investigador de origem italiano que atua na cidade de Nova York, no Brasil, a série foi publicada pelas editoras Record e Mythos, dez anos depois, a editora lança Julia- le avventure di una criminóloga, criada pelo roteirista Giancarlo Berardi, co-criador do faroeste cult Ken Parker, faroeste que embora tenha sido publicado inicialmente pela editora, pertence a Berardi e o desenhista Ivo Milazzo e atualmente é publicada pela Mondadori (editora que  outrora publicava Disney no país). A série conta a história de Julia Kendall, uma professora de criminologia de Nova Jersey que também auxilia a polícia local como freelance. Tal qual outras séries publicadas pela editora, é notável pela referência fotográfica, Julia é inspirada na atriz belga Audrey Hepburn (1929-1993) e sua governanta e amiga,  Emily Jones é inspirada na atriz americana Whoopi Goldberg, no Brasil, a série começou a ser publicada em 2004 pela Mythos, com o nome de Júlia: Aventuras de uma Criminóloga, contudo, a editora Nova Cultural do Grupo Abril, alegou deter direito sobre o nome Júlia, que foi usado em uma série de romances femininos de bolso. A Mythos então resolveu renomear a revista como J. Kendall: Aventuras de uma Criminóloga. Em 2010, a revista correu o risco de ser cancelada (algo que já havia ocorrido com outras séries da Bonelli como Dylan Dog e Martin Mystère), mas a editora fez uma campanha na internet e na mídia impressa e conseguiu salvar a publicação.














Em 2011, a tira de Dick Tracy foi assumiada por Mike Curtis (roteiros) e Joe Staton (desenhos), na série, Tracy tem protagonizado crossovers com outros personagens como Little Orphan Annie de Harold Gray, Spirit de Will Eisner, Fearless Fosdick (uma paródia do próprio Tracy na tira Li'l Abner de Al Capp), entre outros. 





Leitura adicional

Diamantino da Silva, Quadrinhos Dourados - História dos Suplementos no Brasil. Opera Graphica, 2003

Hibridismo e interferência pulp nos códigos técnicos e na linguagem visual das revistas de emoção brasileiras


A Revista Vida Policial (1925-1927) mistérios e dramas em contos e folhetins

As pulps e eu - R.F Lucchetti

As Revistas de Emoção no Brasil (1934-1949) O último lance da invasão cultural americana


Fascículos semanais de literatura popular: bem cultural no início do século XX.

Os Pulps Brasileiros e o Estatuto do Escritor de Ficção de Gênero no Brasil

O Cômico Colegial #7 - Dick Peter

The Fu-Manchu daily newspaper strip by Leo O'Mealia

Sax Rohmer & Fu Manchu - the comics


Personagens do romance policial no cinema-e na TV

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