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Animes baseados em franquias ocidentais de ficção científica





Capitain Future

Capitain Future (1940-1951)  é o nome de uma série literária criada por Mort Weisinger (1915-1978) para a revista pulp Thrilling Publications, da editora Nedor. O principal escritor da série foi o escritor  Edmond Hamilton (1904-1977). Curiosamente, a mesma Nedor publicou um super-herói com o nome de Captain Future (porém, sem nenhuma relação com o herói). Weisinger foi um roteirista e editor de histórias em quadrinhos - foi co-criador dos personagens Aquaman e Arqueiro Verde. Hamilton foi um prolífico escritor de ficção científica e roteirista de histórias em quadrinhos da DC Comics (tendo escrito histórias de Batman, Superman e Legião dos Super-Heróis). Foi casado com a também escritora de ficção científica, Leigh Brackett (1915-1978). Brackett  foi co-roteirista do segundo filme de Star Wars:  O Império Contra-Ataca (1980), embora George Lucas tenha alterado o roteiro ao lado de Lawrence Kasdan, decidiu manter o nome de Brackett nos créditos.


No Japão, a série foi bastante influente, tendo servido de inspiração para uma série de tokusatsu: Captain Ultra (1967). O interesse dos japoneses pelo gênero space opera aumentou nos anos 70, em 1970 era lançada no país a série de TV Jornada nas Estrelas (1966-1969), e, no ano seguinte, estreava a série literária alemã Perry Rhodan (embora os direitos tenham sido adquiridos em 1968). E, em 1973, surge a franquia de anime e mangá Space Battleship Yamato (Patrulha Estelar no Brasil), de Leiji Matsumoto, e, em 1977, era a vez do filme Star Wars, de George Lucas (que pode ser descrito como um misto de sword and planet, space opera, faroeste e fantasia). Na DC Comics, há dois personangens chamados de Colonel Future - o primeiro (Edmond H. Future), é um vilão criado por Cary Batese e Curt Swan, em 1978, e o segundo (Edmond Hamilton), um herói criado por Paul Kupperberg e o mesmo Swan em 1982.



Em 1978, é lançado o anime de Captain Future, produzido pela Toei, com 53 episódios no total - no anos 80, a série chegou a ser lançada nos EUA em VHS, primeiro pela Toei e depois pela Harmony Gold (a mesma que uniu três séries de anime: Super Dimensional Fortress Macross, Super Dimensional Cavalery Southern Cross e Genesis Climber Mospeada e transformou em Robotech) e Streamline Pictures, que editou 4 episódios e transformou em um filme. Em 1980, surge uma curiosa animação coreana (ou Han-guk Manhwa Aenimeisyeon no idioma coreano): Space Captain One-eye (우주대장 애꾸눈), que era um misto de Captain Future com Captain Harlock de Leiji Matsumoto.

Em 1981, na Itália, o personagem foi adaptado para os quadrinhos publicados nas revistas Noi Supereroi, Cartoni in Tivù,  TV Junior.



Space Captain One-eyed


Um poster de Captain Future (reproduzindo a capa da primeira edição da revista pulp, ilustrada por George J. Rozen), pode ser vista na série de TV The Big Bang Theory.


Lensman

Publicada entre 1934 e 1948 nas revistas pulp Amazing Stories e Astounding Stories, Lensman é uma das obras pioneiras do gênero "space opera", criada por E.E. Doc Smith, (1890-1965), considerado um dos "pais" do gênero, ao lado de Hamilton, a série foi a primeira a trazer o conceito de "Patrulha Galática", representada por homens que detém poderosas lentes. Em 1956, o escritor e editor da DC Comics, Julius Schwartz (1915-2004) sugeriu a recriação de um herói dos anos 40 tendo Lensman como inspiração: o Lanterna Verde. Ao contrário da versão original, o novo Lanterna, Hal Jordan, integraria uma patrulha chamada "Tropa dos Lanternas Verde". Esse período foi chamado de Era Prateada das histórias em quadrinhos, já o período entre 1938 e 1956, é chamado de Era de Ouro, na Marvel Comics, há um equivalente, a Tropa Nova (Nova Corps), criada por Marv Wolfman em 1979.



Entre 1984 e 1985, foi produzido um anime pela MK Productions, tendo inclusive uma série de mangás por Mitsuru Miura. Nos EUA, a Harmony Gold repetiu a formula usada em Captain Future, juntando episódios como sendo um filme. Séries de quadrinhos foram publicadas pela Eternity Comics entre 1990 e 1991 - muitas das histórias foram produzidas por Tim Eldred, que também produziu quadrinhos de Zillion, Robotech e Captain Harlock (que também foi distribuída pela Harmony Gold).



o mangá 
revista da Eternity Comics






No Brasil, o filme editado pela Harmony Gold foi lançado com o título Poder Cristal - além do VHS, o longa teria sido exibido pela TV Cultura. Os livros da série nunca foram publicados por editoras brasileiras, mas versões portuguesas da Colecção Argonauta foram comercializadas no país.


Em 1994, a Steve Jackson Games lançou o suplemento Lensman para o sistema GURPS, no Brasil, a Devir lançou apenas um suplemento ambientado no espaço: GURPS - Viagem Espacial, GURPS - Lensman não foi o primeiro RPG espacial baseado em uma franquia oriunda dos pulps, em 1978, a Heritage Models, Inc. publicou John Carter, Warlord of Mars e entre 1986 e 1995, a TRS Inc. publicou Buck Rogers XXVC.



Em 2001, é lançado o romance Samurai Lensman de Hideyuki Furuhashi, ilustrado por Yuji Iwappara.




Em 2003, foi publicada uma versão ilustrada de outra série de Doc Smith, Skylark do Espaço, ilustrada por Takashi Akaishizawa com tradução de Kameyama Tatsuki.





Em 2013, o romance Fundação de Isaac Asimov ganhou adaptação em mangá, Ginga Teikoku Koboshi ilustrada por Uzuki e Keitarō Kumazuki.








Tropas Estelares

Publicado em 1959, na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction, Tropas Estelares (Starship Troopers no original), de Robert Heinlen (1907-1988) é um romance ficção científica militar (um derivado da space opera algumas vezes chamado de space opera militar), que conta a história do conflito de humanos contra alienígenas. Para combater os alienígenas, os humanos usam um poderoso exoesqueleto. O conceito de "super-armaduras" já havia sido mostrado por Doc Smith em Lensman, porém foi mais explorada por Heninlen. Em 1977, Kazutaka Miyatake e Naoyuki Kato do Studio Nue (responsável por séries como Macross, Chōdenji Robo Combattler V e Yamato), ilustraram uma edição de Tropas Estelares para revista SF Magazine.

Em 1979, surge a franquia de mechas (robôs gigantes) Mobile Suit Gundam, a série conta a história de mechas pilotáveis inspirados nos exoesqueletos de Tropas Estelares. A série japonesa é o marco do gênero Real Robots (termo criado para diferenciar dos Super Robots, gênero criado por Go Nagai em Mazinger Z de 1972). Em 1988, Tropas Estelares ganha sua própria série de OVA de 6 episódios, produzido pela Sunrise em conjunto com a Bandai Visual, com concepts criados por Kazutaka Miyatake.
Arte de Ed Emshwiller para a capa da revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction, novembro de 1959






Em 2012, foi lançado o filme CGI Starship Troopers Invasion, uma co-produção americana-japonesa  das produtoras Sola Digital Arts, Lucent Pictures e Stage 6 Films  para a Sony, dirigida por Shinji Aramaki e roteirizada por Arakami e Shigehito Kawada, Edward Neumeier roteirista de Robocop 1 e 2 e e 3 filmes de Tropas Estelares (o primeiro dirigido por Paul Verhoven, diretor original do RoboCop) e Casper Van Dien, que interpreto Johnny Rico no primeiro e terceiro filme, foram produtores executivos desse longa-metragem, o roteiro ficou a cargo de Flint Dille, responsável pela história do RPG de Buck Rogers, franquia do qual é um dos herdeiros.




Shinji Aramaki trabalhou como diretor e designer em Trasformers, Apleseed, Megazone 23, Astro Boy, entre outros.

Em 2017, a Sony lança o filme Starship Troopers: Traitor of Mars produzido pelos mesmo estúdios, dirigido por Shinji Aramaki e Masaru Matsumoto, roteirizado por Edward Neumeier, Casper Van Dien volta atuar como Johnn Rico, agora com a patente de coronel.

Fontes e referência

Cultura Pop Japonesa – Histórias e curiosidades, Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes, 2011, e-book 

Sergio Peixoto e Adriano de Avance, Robôs "Reais" - Os Anos 1980, Anime Ex Special #10 - Robôs

Reinaldo Viliegas in "Henshin! #21, JBC.

Jones, Gerard. Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis.  Conrad Editora, 2005

Scientific American Brasil Exploradores do Futuro #1 - Julio Verne. Editora Duetto, 2005
Scientific American Brasil - Exploradores do Futuro #2 - H. G. Wells . " "

 Scientific American Brasil Exploradores do Futuro 3 - Isaac Asimov. " "








Comentários

  1. Muito Boa pesquisa
    O curioso é que os japoneses realmente fazem boa ficção científica, como Suesei no Gargantia, Ghost in the Shell, Kaze no Tani no Nausicaa (Myiazaki).

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    Respostas
    1. Eles tem alguns autores lá, o Leiji Matsumoto cita o pioneiro da ficção japonesa, Unno Juza.

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